
CBD na Epilepsia: o que dizem os estudos sobre crises de difícil controlo
A epilepsia é uma condição neurológica que afecta milhões de pessoas. Em muitos casos, os fármacos habituais controlam as crises; porém, existe um grupo de doentes com epilepsia de difícil controlo que não responde bem às terapêuticas convencionais. Nos últimos anos, o canabidiol (CBD) tem sido estudado como opção complementar para síndromes específicas. Neste artigo explicamos o que se sabe até agora, sempre com um olhar informativo e preventivo.
O que é a epilepsia de difícil controlo?
Caracteriza-se por crises que persistem apesar do uso de dois ou mais antiepilépticos em doses adequadas. Entre os exemplos mais conhecidos estão a síndrome de Dravet e a síndrome de Lennox–Gastaut, ambas de início na infância e com grande impacto na qualidade de vida.
Como actua o CBD na epilepsia?
O CBD é um canabinóide não psicoactivo da planta Cannabis sativa L.. Ao contrário do THC, não provoca euforia. A literatura sugere que o CBD actua de forma moduladora no sistema endocanabinóide e noutros alvos neuronais (ex.: GPR55, TRPV1), ajudando a reduzir a excitabilidade neuronal e, potencialmente, a frequência de crises em alguns doentes.
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Evidência científica
O Epidiolex/Epidyolex® (CBD purificado) é um medicamento aprovado pela FDA e pela EMA para síndromes específicas (Dravet, Lennox–Gastaut e esclerose tuberosa). Em ensaios clínicos controlados, observou-se uma redução significativa da frequência de crises quando comparado com placebo, bem como melhorias complementares (ex.: sono, comportamento) em alguns casos.
Exemplo: num estudo publicado no New England Journal of Medicine (2017), crianças com síndrome de Dravet registaram uma redução média de ~39% nas crises convulsivas com CBD.
Legalidade em Portugal
Em Portugal, o uso de CBD para epilepsia só é permitido em contexto médico, via prescrição de medicamentos autorizados (ex.: Epidyolex). Produtos de consumo (óleos de “bem-estar”, cápsulas, etc.) não são indicados para tratar epilepsia.
Riscos e efeitos secundários
- Sonolência, fadiga
- Alterações gastrointestinais (náuseas, diarreia)
- Alterações do apetite
- Interacções medicamentosas (ex.: com clobazam, valproato) — exigem monitorização médica
Nota: O CBD não substitui terapêutica prescrita. Qualquer ajuste deve ser feito por um médico especialista.
FAQ — Perguntas frequentes
O CBD cura a epilepsia?
Não. Pode reduzir crises em síndromes específicas, mas não representa uma cura.
Qual a diferença entre CBD medicinal e CBD de bem-estar?
O CBD medicinal é purificado, padronizado e aprovado por entidades reguladoras; os produtos de bem-estar não têm este estatuto nem são indicados para epilepsia.
O CBD é psicoactivo?
Não. O CBD não provoca euforia (ao contrário do THC).
Posso comprar CBD para tratar epilepsia?
Em Portugal, apenas com prescrição médica e em farmácia (medicamentos autorizados).
Referências científicas
- Devinsky, O., et al. (2017). Trial of Cannabidiol for Drug-Resistant Seizures in the Dravet Syndrome. New England Journal of Medicine, 376, 2011–2020.
- Thiele, E. A., et al. (2018). Cannabidiol in patients with seizures associated with Lennox–Gastaut syndrome. New England Journal of Medicine, 378, 1888–1897.
- Iffland, K., & Grotenhermen, F. (2017). An update on safety and side effects of cannabidiol (CBD). Cannabis and Cannabinoid Research, 2(1), 139–154.
